Quanto mais envelheço
[Você pode ler ouvindo Older -Sasha Sloan ]
Eu costumava acreditar que encontraria um amor daqueles de cinema que faria as borboletas flutuar dentro de mim, que o encanto estaria sempre vivo. Mas eu estava errada e já não acredito mais nisso. Na verdade quanto mais envelheço mais percebo que cada um tenta o seu melhor até o ponto onde não se machuque.
Quanto mais envelheço percebo também que mais leve é deixar alguém ir quando ela já não pertence mais a sua vida. Quando percebemos que nadamos e nadamos e não saímos do lugar, como se uma grande e súbita onda nos sufocasse dias e dias.
Quando somos crianças imaginamos um mundo lindo e encantador. Com pessoas como nós, dispostas a tanto. Com sonhos e fantasias, mas quando envelhecemos passamos a compreender inclusive nossos pais. Passamos a compreender que tudo tem seu tempo e lugar e por horas não será nosso e está tudo bem também.
Quando mais envelhecemos mais podemos compreender o quanto é difícil amar e ser amada num mundo onde as redes, e a superficialidade tomaram conta. Veja que disse difícil e não impossível. Por vezes iremos descobrir alguém disposto a nos amar também e alguém que dê seu melhor até o ponto onde essa pessoa também sinta que não irá se machucar.
Quanto mais envelheço mais compreendo que nada é como imaginei. Quanto mais envelhecemos menos paciência passamos a ter e nossa couraça vai pouco a pouco se tornando impenetrável. Mas queria ter um pouco da inocência de criança, do amar de conto de fadas. Acreditar que só estamos nos lugares errados e nada é para sempre.
Mas a verdade é que eu costumava ficar muito mais irritada por não encontrar o conto de fadas e as borboletas flutuantes, mas agora eu sei, e só não tinha percebido completamente, às vezes é melhor deixar alguém ir, para que a gente permaneça inteiro.
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