Só quero paz e uma xícara de café

Tempos de amores líquidos. De olhares vazios e de corações amarrotados de sentimentos incompreensíveis. As pessoas cada vez mais transparecem rochas impermeáveis. Mas o que realmente se passa aí dentro? E aqui fora? Precisamos nos cicatrizar por completos de todos os traumas, desamores e dissabores. E entender que não precisamos ser reflexo daquilo que nos feriu. Precisamos respirar sem pirar. Reorganizar com ajuda sim, tudo que se passa dentro de nós. Entender que pessoas são diferentes e olha a sorte que tivemos em poder cruzar nossos caminhos. Entender também que pessoas vem e vão, e você sempre é o único a pagar a sua conta e a viver com tudo que existe aí, nesse carrossel de emoções. E tá tudo bem também, a vida está aí para ser vivida. Aproveitando cada segundo. Compreendendo e aprendendo sobre tudo, quem realmente somos. Aquele ditado de que atraímos o que vibramos é verdade. E a partir de hoje só quero paz. Às vezes demoramos a entender algumas coisas. Talvez seja a idade chegando ou a crise dos vinte e poucos, mas sinceramente eu quero paz em todos os sentidos. Se vier em forma de amor ótimo. Mas eu quero a paz de um fim de tarde jogando conversa fora sobre as metamorfoses da vida ou sobre teorias da conspiração, por que não? Eu quero a paz de deitar na minha cama sem ter de me preocupar com o que virá. Ou quem virá e se virá. Eu quero a paz de saber que estou vivendo e arriscando sim. Indo com medo mesmo mas colecionando inúmeras histórias. Algumas felizes e outras tristes também, mas necessárias para moldar quem eu quero me tornar. As pessoas tem medo de sentimentos, mas não deixo que isso me afete. Já recebi uns não amorosos seguidos de arrependimento. Mas como sempre falo, mudamos constantemente e é esse o tesão de estar vivendo. Aprendendo a cada passo dado. Sou vulnerável e já pensei que fosse minha fraqueza até entender que é isso que me deixa livre de arrependimentos, pois eu sou eu mesma e falo o que sinto. O ficar ou ir não depende de mim. E durmo com a consciência tranquila de que eu fiz a minha parte. Demorei a organizar todas as caixinhas dentro de mim. E encontrar novamente motivos que fizessem meus olhos brilharem de felicidade e entusiasmo. Demorei a compreender que tudo bem ir embora. Seja de alguém ou de algum lugar. A compreender que ninguém é obrigado a ficar. Mas compreendi que independente de onde estiver se não estiverem lhe oferecendo nada de bom, levante e vá embora mesmo. Nem olhe pra trás. Demorei a entender que cada um oferece o seu melhor, às vezes nem é por maldade. Mas que devemos aprender a olhar com outros olhos a vida. E que todos nós erramos, mas persistir no erro já é burrice. Devemos aproveitar o agora. Eu sou intensa e alguns tem medo disso, devem me achar louca por querer viver dessa forma como se o amanhã não fosse chegar. Mas vou te contar que talvez ele não chegue. Pra mim, pra você ou para alguém na China. Se é válido, meu conselho é que tu viva a vida intensamente. Arrisque. Temos tão pouco tempo. Diga a ele o que sente. Abrace seu cachorro, fale aos seus pais que os ama. Faça o que faz você feliz. E demonstre seu afeto, talvez ela não saiba mesmo. Tá na hora de construirmos amores tão duros e fortes como uma rocha. E que dela possamos construir nossos castelos.

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