Meu navio saiu do seu cais

[Você pode ler ouvindo When the party's over- Billie Eilish]

Estou desistindo de você antes mesmo que eu tenha que desistir de mim mesma. Estou levantando da cadeira que estava bem em frente aos seus olhos. Talvez eu consiga usar o poder da invisibilidade para salvar vidas além da minha. Estou enfim me retirando de cena.

Confesso que quando te vi pela primeira vez senti sua alma em sintonia com a minha, pensei que fosse algo diferente. Nas nossas conversas só tive mais certeza do quão diferente somos. Você de lá e eu de cá. Cada um seguindo um passo, movimento, sentimentos diferentes. Eu sou profundidade e você parece tão raso. Não nos pertencemos e essa é a realidade.

Já pode relaxar, não precisaras ver mais minhas notificações com áudios longos em uma discussão sobre política, livros, vida. E nem as fotos das quais me esforçava para manda-las, quem me conhece sabe como não sou tão fã assim de fotos minhas já que não sou nada fotogênica. Eu tô saindo de cena mesmo.

Acho que em parte o que me manteve mais ligada a você era esse lance novo de conquista por minha parte. Foi novo para mim também. Foi divertido na verdade. Porque acreditar que algo que está na sua frente pode estar tão longe ao mesmo tempo nos faz perceber como somos idiotas. Eu quis muito que você coubesse dentro de mim e te empurrei de várias formas, tudo bem que sua aparência ajudou bastante. A se você soubesse menino dos olhos azuis que você é exatamente como descrevi aos céus, cada meticuloso detalhe do seu físico.

Eu agradeço por você ter aparecido na minha vida porque de certa forma pude ver alguns reflexos meus em você. Como sempre costumo dizer: sempre daremos um jeito para aquilo que realmente nos importa ou nos interessa. Falta de tempo na maioria das vezes é uma desculpa para adiar o inadiável ou por pura preguiça. Eu já fiz bastante isso também, então longe de mim julga-lo. Maturidade emocional também é algo que adquirimos no decorrer da nossa vida e dos nossos tombos.

Adeus e espero que encontres sua felicidade. Estou retirando meu navio que já estava atracado ao seu cais. Vou em rumo ao desconhecido desbravar outros portos. Aprendi a me retirar de cena tão rapidamente que espero que no momento em que eu encontrar um porto capaz de suprir toda a minha embarcação eu consiga aprecia-lo antes mesmo de dizer adeus. Porque depois de uma despedida nenhum possível retorno será o mesmo. Nem mesmo o encanto consegue bater duas vezes a mesma porta. Assim como nenhuma gota d'agua que passa por esse navio é a mesma. Os ventos mudam, as paisagens mudam, a vida muda. E aí percebemos que precisamos mudar também. E nos retirar de onde não pertencemos e arriscar o desconhecido, navegando em ondas desconhecidas e oceanos distantes.

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