Ignora esse medo bobo e viva

Às vezes você tem tudo e de repente pode não ter mais nada. Essa frase parece tão perplexa quanto real. Às vezes, só as vezes, você vai se deparar com alguém que possua uma chave mestre. A que pode ultrapassar as suas barreiras e chegar ao seu coração. São momentos tão raros. Mas aí lá vamos nós com nosso medo. E colocando barreiras que não estavam ali. Colocando obstáculos. Tentando negar a nós mesmos que há alguém que possa inverter nosso mundo e nos deixar perplexos com sua capacidade de ser a pessoa que um dia chegamos a jurar a nós mesmos que jamais existiria. E aí quando menos espera a vida te joga contra a parede e diz "ei, existem pessoas boas e você precisa dar uma chance, principalmente a você!".

Medo. Vivemos nossa vida com muito medo. Medo de cair, medo de que o dia não acabe. Medo da felicidade. Estamos tão acostumados a dar errado que o certo acaba não parecendo ser mesmo certo. Estamos tão acostumados a vivermos ferrados. Amores que vem e vão. Sentimentos incompreensíveis. Acostumados a julgar o livro pela capa ou sinopse, que acabamos não dando chance as páginas que com toda certeza trazem emoções e aprendizados incríveis.

Estamos tão ferrados pelos sentimentos passados e algumas magoas que o novo não parece fazer sentido. E aí o medo parece uma ferramenta plausível para sair de cena. Para não acreditar que a felicidade também pode nos pertencer. Mas que para isso precisamos nos permitir. Percebe que quando aquele pessoa incrível apareceu na sua vida você deu jeito de achar um motivo para cair fora. Que mesmo trocando de personagem na sua cabeça você moldou essa pessoa a aquele que te magoou. E por que? Medo.

De que isso tudo fosse dar certo. Medo de que essa pessoa conseguisse girar seu mundo de ponta cabeça. Medo de que ela descobrisse seus piores monstros. Mesmo que muitos existam apenas em sua cabeça. A bondade e maldade coexistem, e aprendemos com ambas. Desde que nos permitamos a esse aprendizado.

Carregamos tanto medo dentro de nós que ignoramos a raridade que vez ou outra aparece em nossa vida. E se não nos permitirmos iremos carregar agora, amanhã e depois. Ignorando a felicidade. E vamos adiando tudo isso por medo até que não mais haja tempo de ignorar. Pois já é tarde demais pra isso. E aí olhamos pra trás e percebemos que não vivemos todas as emoções. E por puro medo.

O medo serve para pessoas que realmente não querem viver e entender cada emoção. Não querem sentir, pois acreditam que já sentiram de tudo. Para quem acredita que homens são todos iguais, ou que mulheres são todas iguais. Mas não são. Pessoas são todas diferentes. Cada um carrega sua própria essência. Sua própria dor e um coração que precisa de atenção. Todos queremos ser amados, porém temos medo de amar. Arrisca e deixa esse medo bobo de lado. Eu não tô dizendo que tudo será perfeito, porque não será. Talvez haja algumas pedras em seu caminho e tudo bem também. É tudo bem. Pois nenhuma será maior que você e conseguirá tira-la do seu caminho. Tenta uma rota alternativa. Desbrave o desconhecido. Levanta a poeira e coloca esse medo em uma caixinha com várias trancas.

Siga a sua vida e permita-se. Ainda há tempo de notar aquela pessoa incrível que está ao seu lado ou de conhecer um personagem novo que possa fazer parte dos próximos capítulos da sua vida ou do restante do seu livro. Lembra que do chão você não passa. Tenta. Mas hoje, porque o amanhã pode não chegar. Ignora esse medo bobo e viva. Viva intensamente tudo que há em você. Não temos o tempo de ontem que já ficou no passado, mas o agora está aí e só depende de você.



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