Relato de um relacionamento abusivo e violência doméstica
Eu me encantei. Ele era o oposto do que eu era. Mas conseguiu me manipular a ponto de eu acreditar que era amor. Ele abria a porta do carro, ele me fazia acreditar que eu era única e que ele me amava de verdade. Eu acreditei. Não pense você que ele era o cara dos meus sonhos quando conheci ele. Sua aparência não me encantou. Mesmo assim, ele me tratou muito bem. Lembro que pedi para que subisse para conversarmos. Óbvio que não foi apenas um beijo. E ele não hesitou em perguntar se eu queria algo sério ou apenas diversão. Pensei comigo que isso o diferenciava dos demais. Me encantei com isso. Ele parecia ser verdadeiro. Ele começou me convidar para sair e parecia estar vivendo tudo tão intensamente e verdadeiramente. Eu me joguei naquilo. Era tudo tão novo para mim que pensei ser meu conto de fadas se tornando realidade.
Os dias se passaram até que o pedido de namoro veio. Aceitei sem nem hesitar. Os dias foram passando e impressão de conhece-lo a muito tempo me tomou conta. Estou amando e sendo amada, pensei. Ele me tratava como uma princesa. Aquela dos contos de fadas mesmo. Fazia minhas vontades e levava com seu amuleto. Ele deixava bilhetes dizendo que me amava. Na verdade ele dizia que me amava desde o inicio. Eu sei, esse era motivo suficiente para dizer que algo errado tinha. Não amamos uma pessoa sem conhece-la antes. Eu ignorei e continuei com aquilo.
Eu ia apresenta-lo a parte da minha família e la mais indícios de que algo errado estava acontecendo. Foi ali que ele começou a me deixar na lei do silêncio. Não me responder e nem justificar nada. Ao buscar no carro, logo soltou um palavrão e logo comecei a me sentir culpada, mesmo sabendo que no fundo não havia nada de errado comigo. Mas me culpei.
Dois meses se passaram e a fase do encanto foram se esvaindo e a minha própria valorização foi se perdendo. Além dos momentos em que ele era muito explosivo e sem motivo algum do meu lado, me culpando por todas as coisas erradas que estavam acontecendo na vida dele, muitas outras coisas aconteceram.
Eu havia me perdido sem nem perceber. Eu sou um pouco ciumenta, mas o ciúme dele era algo possessivo. E eu ingênua acreditei que aquilo era porque ele realmente gostava de mim. Pensava comigo: quando se gosta de alguém é isso que acontece, não é?
Os dias foram se passando e a presença dele estava cada vez mais frequente na minha vida. E eu comecei a perceber que havia duas personalidades nele. E a segunda começou a se fazer mais presente nos nossos dias. A personalidade agressiva e impaciente. Mal amada. E minha vida começou a ficar ruim. Me sentia sem energia alguma. Mas continuei achando que eu estava vendo coisas onde não existia. Até que as cenas de sexo passaram a se tornar um caos na minha vida. Aquilo que era pra ser gostoso estava se tornando um pesadelo.
Ele me agredia durante o sexo, e antes que você fale 'a é mas masoquismo isso' eu lhe digo que o masoquismo também é doença, mas ele me agredia com muita raiva mesmo. Ele alegava que estava me castigando e eu acreditava que eu tinha feito algo errado para merecer aquilo mesmo. Eu apanhei como nunca apanhei de ninguém. Inclusive meu pai nunca encostou um dedo em mim pois nunca achou que seria uma forma de educação. Eu aceitei aquilo tudo pensando que era normal dentro de um relacionamento. Afinal ele foi o primeiro relacionamento que tive.
Abusos e violências assim não pararam, até que um dia ele colocou uma faca em meu pescoço durante nossa relação. Eu entrei em pânico, senti medo como jamais havia sentido em toda minha vida. Alguém que eu confiava, que trouxe para dentro da minha casa, que eu chamava de amor estava com a minha vida ali, nas suas mãos. Literalmente. Lembro que demorou até eu conseguir tirar da mão dele aquele objeto. Outras cenas de terror foram acontecendo, ele deixava hematomas em minha pele alegando que aquilo era para eu saber que era meu dono. Reescrevendo infelizmente consigo lembrar de cada detalhe que prefiro não colocar aqui.
Essas cenas aconteciam com muita frequência, mas no dia seguinte ele agia normal como se nada tivesse acontecido, me fazendo acreditar que eu estava louca. Que era coisa da minha cabeça. Uma amiga que me conhece como a palma da mão viu desde o inicio que algo estava errado. Eu sabia que algo não estava certo, mas não é tão fácil sair desse tipo de relacionamento. Não foi. Eu disse a ela que iria terminar mas não consegui. Me sentia dependente dele. Ela sofreu comigo e vendo esta situação fiz o que não deveria ter feito. Me afastei dela porque senti que estava fazendo mal a ela também. Eu fui me isolando do mundo. A vida foi perdendo sentido dentro de mim. E eu não me reconhecia mais e não conseguia sair daquilo. Acreditava que era aquilo que a vida tinha para mim.
Fui entrando no fundo do poço e acreditava que o problema realmente era eu. As cenas de agressão física ocorriam durante o sexo então pensava que aquilo era normal, não havia nada de errado. Porém várias vezes eu pedia para ele parar e ele continuava fazendo, e dizia que me amava muito. E isso me fazia acreditar que era amor e eu novamente louca. Lembro do dia em que me senti mais lixo do que os demais. Eu não quis fazer algo e ele me empurrou e me culpou. Eu não podia mais ser eu mesma. Eu sentia que tinha que fazer o que ele queria. Eu já havia perdido meu próprio eu.
Eu estava atolada em um poço sem fim. Até que ele resolveu terminar comigo sem nenhum motivo aparente. Pelo menos por parte dele. Era um livramento, porque eu passando por todas essas situações não estava conseguindo sair disso. Uma luz na fundo do poço se acendeu pra mim. Eu chorei muito e ainda choro, mas sei que aquilo que passei não é nada normal. Há dias que a dor é mais intensa e nas outras consigo dar conta. Procurei ajuda e meus amigos estão ao meu lado. Minha família também, mesmo não sabendo de algumas coisas das quais coloquei aqui. Não contei por vergonha também, pois toda vez que penso o que eu com 12 anos pensaria sobre isso me sinto decepcionada comigo. Porque aquela garotinha jamais deixaria isso acontecer com ninguém. Não tem sido muito fácil. As vezes acordo muito ruim porque sonho com ele e toda dor volta.
Estou seguindo. Com feridas que tento cicatrizar aos poucos. Não tem sido fácil, mas sei que a culpa não foi minha. Ele ter vestido mascaras e me usado, não foi culpa minha. Agora estou numa busca constante em me redescobrir. Toda vez que olho no espelho me pergunto quem eu sou. Aos poucos essa pergunta não está ficando muito vaga. Mas ainda não tenho respostas sólidas. Sigo porque descobri que existem muitas pessoas que realmente se importam comigo. Você não está sozinha é o que mais tenho ouvido e obrigada por isso. Alivia um pouco essa euforia dentro de mim.
Os dias se passaram até que o pedido de namoro veio. Aceitei sem nem hesitar. Os dias foram passando e impressão de conhece-lo a muito tempo me tomou conta. Estou amando e sendo amada, pensei. Ele me tratava como uma princesa. Aquela dos contos de fadas mesmo. Fazia minhas vontades e levava com seu amuleto. Ele deixava bilhetes dizendo que me amava. Na verdade ele dizia que me amava desde o inicio. Eu sei, esse era motivo suficiente para dizer que algo errado tinha. Não amamos uma pessoa sem conhece-la antes. Eu ignorei e continuei com aquilo.
Eu ia apresenta-lo a parte da minha família e la mais indícios de que algo errado estava acontecendo. Foi ali que ele começou a me deixar na lei do silêncio. Não me responder e nem justificar nada. Ao buscar no carro, logo soltou um palavrão e logo comecei a me sentir culpada, mesmo sabendo que no fundo não havia nada de errado comigo. Mas me culpei.
Dois meses se passaram e a fase do encanto foram se esvaindo e a minha própria valorização foi se perdendo. Além dos momentos em que ele era muito explosivo e sem motivo algum do meu lado, me culpando por todas as coisas erradas que estavam acontecendo na vida dele, muitas outras coisas aconteceram.
Eu havia me perdido sem nem perceber. Eu sou um pouco ciumenta, mas o ciúme dele era algo possessivo. E eu ingênua acreditei que aquilo era porque ele realmente gostava de mim. Pensava comigo: quando se gosta de alguém é isso que acontece, não é?
Os dias foram se passando e a presença dele estava cada vez mais frequente na minha vida. E eu comecei a perceber que havia duas personalidades nele. E a segunda começou a se fazer mais presente nos nossos dias. A personalidade agressiva e impaciente. Mal amada. E minha vida começou a ficar ruim. Me sentia sem energia alguma. Mas continuei achando que eu estava vendo coisas onde não existia. Até que as cenas de sexo passaram a se tornar um caos na minha vida. Aquilo que era pra ser gostoso estava se tornando um pesadelo.
Ele me agredia durante o sexo, e antes que você fale 'a é mas masoquismo isso' eu lhe digo que o masoquismo também é doença, mas ele me agredia com muita raiva mesmo. Ele alegava que estava me castigando e eu acreditava que eu tinha feito algo errado para merecer aquilo mesmo. Eu apanhei como nunca apanhei de ninguém. Inclusive meu pai nunca encostou um dedo em mim pois nunca achou que seria uma forma de educação. Eu aceitei aquilo tudo pensando que era normal dentro de um relacionamento. Afinal ele foi o primeiro relacionamento que tive.
Abusos e violências assim não pararam, até que um dia ele colocou uma faca em meu pescoço durante nossa relação. Eu entrei em pânico, senti medo como jamais havia sentido em toda minha vida. Alguém que eu confiava, que trouxe para dentro da minha casa, que eu chamava de amor estava com a minha vida ali, nas suas mãos. Literalmente. Lembro que demorou até eu conseguir tirar da mão dele aquele objeto. Outras cenas de terror foram acontecendo, ele deixava hematomas em minha pele alegando que aquilo era para eu saber que era meu dono. Reescrevendo infelizmente consigo lembrar de cada detalhe que prefiro não colocar aqui.
Essas cenas aconteciam com muita frequência, mas no dia seguinte ele agia normal como se nada tivesse acontecido, me fazendo acreditar que eu estava louca. Que era coisa da minha cabeça. Uma amiga que me conhece como a palma da mão viu desde o inicio que algo estava errado. Eu sabia que algo não estava certo, mas não é tão fácil sair desse tipo de relacionamento. Não foi. Eu disse a ela que iria terminar mas não consegui. Me sentia dependente dele. Ela sofreu comigo e vendo esta situação fiz o que não deveria ter feito. Me afastei dela porque senti que estava fazendo mal a ela também. Eu fui me isolando do mundo. A vida foi perdendo sentido dentro de mim. E eu não me reconhecia mais e não conseguia sair daquilo. Acreditava que era aquilo que a vida tinha para mim.
Fui entrando no fundo do poço e acreditava que o problema realmente era eu. As cenas de agressão física ocorriam durante o sexo então pensava que aquilo era normal, não havia nada de errado. Porém várias vezes eu pedia para ele parar e ele continuava fazendo, e dizia que me amava muito. E isso me fazia acreditar que era amor e eu novamente louca. Lembro do dia em que me senti mais lixo do que os demais. Eu não quis fazer algo e ele me empurrou e me culpou. Eu não podia mais ser eu mesma. Eu sentia que tinha que fazer o que ele queria. Eu já havia perdido meu próprio eu.
Eu estava atolada em um poço sem fim. Até que ele resolveu terminar comigo sem nenhum motivo aparente. Pelo menos por parte dele. Era um livramento, porque eu passando por todas essas situações não estava conseguindo sair disso. Uma luz na fundo do poço se acendeu pra mim. Eu chorei muito e ainda choro, mas sei que aquilo que passei não é nada normal. Há dias que a dor é mais intensa e nas outras consigo dar conta. Procurei ajuda e meus amigos estão ao meu lado. Minha família também, mesmo não sabendo de algumas coisas das quais coloquei aqui. Não contei por vergonha também, pois toda vez que penso o que eu com 12 anos pensaria sobre isso me sinto decepcionada comigo. Porque aquela garotinha jamais deixaria isso acontecer com ninguém. Não tem sido muito fácil. As vezes acordo muito ruim porque sonho com ele e toda dor volta.
Estou seguindo. Com feridas que tento cicatrizar aos poucos. Não tem sido fácil, mas sei que a culpa não foi minha. Ele ter vestido mascaras e me usado, não foi culpa minha. Agora estou numa busca constante em me redescobrir. Toda vez que olho no espelho me pergunto quem eu sou. Aos poucos essa pergunta não está ficando muito vaga. Mas ainda não tenho respostas sólidas. Sigo porque descobri que existem muitas pessoas que realmente se importam comigo. Você não está sozinha é o que mais tenho ouvido e obrigada por isso. Alivia um pouco essa euforia dentro de mim.
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